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14/09/2010 03:00

QUESTÃO FISCAL NO PAÍS É FOCO DE ESTRANGEIROS

Caso a candidata à presidência da República pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff, seja realmente eleita, como mostram as pesquisas de opinião, ela talvez tenha de ser mais agressiva nas questões fiscais em seu primeiro ano de governo. A avaliação é de Maarten-Jan Bakkum, estrategista de mercados emergentes da ING Investment Management. Para ele, essa postura melhoraria ainda mais a imagem positiva que o Brasil tem junto aos investidores internacionais, assim como a Copa do Mundo e a Olimpíada vão ajudar a aperfeiçoar a percepção do mundo em geral sobre país. Verdadeiro entusiasta do Brasil, o holandês já veio várias vezes ao país e, em sua última passagem, visitou Brasília, São Paulo e Rio. Segundo ele, a maioria dos investidores lá fora está otimista no longo prazo com o mercado brasileiro. "O crescimento econômico está indo muito bem, o país está se desenvolvendo e vem sendo beneficiado pela expansão asiática e dos mercados emergentes em geral", diz ele. "Ao mesmo tempo, no atual contexto global, o Brasil tem mais histórias de consumo doméstico interessantes." Na visão de Bakkum, caso Dilma realmente vença, as questões fiscais devem receber atenção especial no primeiro ano de mandato. Com o gasto público e os investimentos aumentando mais rápido que a receita fiscal federal, o superávit primário, que exclui pagamento de juros sobre as obrigações de dívida, está bem abaixo da meta do governo de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano. Não que o Brasil corra riscos de solvência, ressalta ele. "Mas ela (Dilma) talvez tenha de ser mais agressiva nas questões fiscais em seu primeiro ano de governo, a fim de ganhar a confiança dos investidores e dissipar eventuais dúvidas sobre o país", diz o executivo, ressaltando, no entanto, que, ao contrário de anos anteriores, a eleição presidencial não preocupa. Na visão do estrategista da ING Investment, o grande desafio do país é como ele conseguirá financiar sua história de alto crescimento. E, nesse sentido, o papel do BNDES no financiamento de grandes projetos de infraestrutura será fundamental. A Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016, aumentam a necessidade dos investimentos em infraestutura. "Isso é algo que não pode mais esperar, não há tempo a perder; mas também é uma situação boa, porque não existe opção; os investimentos terão de ser feitos", diz Bakkum. "Na África do Sul, a Copa foi o motor para a infraestrutura, com investimentos em aeroportos, segurança, políticas públicas de moradia e mesmo no aumento da capacidade elétrica." O executivo diz que esses dois eventos servirão também para melhorar a visão que a comunidade internacional tem do Brasil. "A percepção em relação à África do Sul melhorou muito e, por aqui, deve acontecer o mesmo", diz. "O Brasil mudou muito nos últimos dez anos, mas muita gente ainda o vê como um país perigoso, onde a desigualdade entre ricos e pobres é muito alta", afirma ele, que completa: "A Copa do Mundo vai mostrar que este é um país fantástico." A expansão no crédito é outro fator positivo que deve atrair a atenção dos investidores internacionais ao país. "Por aqui, há mais espaço para o crescimento do crédito, diferentemente do que ocorre nos países asiáticos e europeus, por exemplo, que já atingiram um nível alto de crédito/PIB." Os números mostram que, embora em ritmo menos acelerado, o crédito bancário manteve tendência de expansão em julho. A relação crédito/PIB atingiu 45,9%, comparativamente a 45,7% em junho e a 42,8% em julho de 2009. Entre os principais concorrentes do país a receber recursos internacionais, ele cita México, Turquia, Indonésia, Índia e China. O grande diferencial de juros entre o Brasil e outros países tem levado muitos aplicadores a preferir aplicar dinheiro por aqui em títulos de renda fixa, diz ele. "A taxa de juros no Brasil faz com que o país possa competir com qualquer um, pois há poucos países com taxas altas." Além da renda fixa, as perspectivas para a moeda brasileira são muito boas como forma de investimento para os estrangeiros, avalia Bakkum, assim como a aplicação em ações, já que o lucro das empresas tende a crescer com a expansão econômica. "Os investimentos diretos, com a regulação melhorando, também são atrativos, principalmente no setor de infraestrutura", diz. De acordo com o estrategista, o grupo mantém cerca de US$ 25 bilhões aplicados no país. E, além dos investidores de private banking e de varejo, os institucionais vêm se mostrando bastante interessados no país. "Eles já investem em mercados emergentes, mas ainda têm muito a aplicar, pois a exposição de suas carteiras nesses países ainda é pequena, abaixo do nível natural." Quanto ao mercado americano, Bakkum diz não acreditar em um "double dip" - receio de uma recaída na recessão -, mas admite que o risco de isso ocorrer está crescendo. "Mas os indicadores estão um pouco melhores do que um "double dip" indicaria", afirma. "De qualquer forma, a economia americana está fraca, não vem se recuperando muito bem e é possível haver crescimento baixo por muitos anos, o que não é um bom cenário." Ele lembra que os americanos, e mesmo o mundo, não estão preparados para um longo período de crescimento baixo, sem falar no alto endividamento do governo dos EUA, setor imobiliário fraco e mercado de trabalho ainda dando sinais ruins. No caso da Europa, Bakkum avalia que a região deve ter anos difíceis pela frente. A economia da Alemanha é a que se mostra melhor, neste momento. "Os alemães estão um pouco mais confiantes, tomando mais hipotecas e a fraqueza do euro está ajudando a Alemanha a exportar para a China". Fonte: VALOR ECONÔMICO

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