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17/09/2026 10:57

Entre a resiliência econômica e a compressão do espaço fiscal: o cenário de 2026 e os desafios para os estados

 

Carin Deda e João Marques, da Sefaz-PR, assinam artigo sobre o cenário fiscal dos estados brasileiros

Por Carin Deda* e João Marques**

O cenário econômico de 2026 apresenta uma combinação pouco usual de resiliência da atividade, persistência inflacionária, elevada incerteza geopolítica e deterioração gradual de alguns indicadores fiscais. Para os Estados brasileiros, essa combinação exige uma leitura que vá além dos indicadores agregados de crescimento. A economia brasileira continua apresentando sinais importantes de sustentação, especialmente no mercado de trabalho e na renda, ao mesmo tempo em que o ambiente internacional passou a incorporar novos choques de oferta, aumento expressivo dos preços de commodities e a perspectiva de manutenção de condições monetárias restritivas por mais tempo. Paralelamente, os dados fiscais dos governos estaduais mostram desaceleração das receitas, crescimento mais intenso das despesas e redução progressiva do espaço fiscal acumulado nos anos posteriores à pandemia.

World Economic Outlook Update, divulgado pelo Fundo Monetário Internacional em julho de 2026, resume o ambiente global a partir de duas forças que operam em direções opostas. De um lado, o conflito no Oriente Médio produz um choque negativo de oferta, com efeitos principalmente sobre energia, transporte, cadeias produtivas e inflação. De outro, o ciclo de investimentos em tecnologia e inteligência artificial sustenta parcela relevante da atividade econômica internacional. Como resultado, o FMI projeta crescimento mundial de 3,0% em 2026 e 3,4% em 2027, depois de 3,5% em 2025. A inflação mundial, por sua vez, deve aumentar de 4,1% em 2025 para 4,7% em 2026, interrompendo temporariamente o processo de desinflação observado desde 2024.

Para o Brasil, o quadro permanece relativamente resiliente. A projeção do FMI indica expansão de 2,4% em 2026 e 2,2% em 2027, após crescimento de 2,3% em 2025. A revisão para 2026 foi positiva em 0,5 ponto percentual em relação à projeção de abril, mas a trajetória esperada continua apontando para alguma moderação da atividade no próximo ano. Esse desempenho ocorre em um contexto no qual o mercado de trabalho ainda apresenta condições favoráveis: os dados reunidos pelo GEFIN mostram rendimento médio próximo de R$ 3,7 mil e taxa de desocupação em 5,4%, condições que sustentam a renda das famílias e, consequentemente, parte importante das bases econômicas sobre as quais incide a tributação estadual.

Essa resiliência, entretanto, não elimina os riscos. Ao contrário, parte deles tornou-se mais complexa.

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Fonte: Comsefaz

 

 

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